Inesperada Introspecção

“Pensamentos clandestinos invasores de um comum.”

Do pebleu para a donzela…

14 de julho de 2008

– “Boa tarde, senhora!
Desculpe incomodar,
Mas é que não resisti
Ao ver-te aqui passar
Posso ser inconveniente, eu sei
Mas sei me aprumar
É que tamanha beleza aqui
Novamente, jamais verei estar
Eu posso te esperar?
Quem sabe vê-la voltar
Prometo não incomodar
Mas não prometo em ti não pensar…”

Vaga para Estágio

7 de julho de 2008

Sérgio tem 18 anos, está no segundo semestre do curso superior de Administração de Empresas. Não tem muita experiência profissional, pois trabalhou apenas como office-boy há um ano, na empresa de seu tio. Ele está ansioso para a sua primeira entrevista para a vaga para estagiar na área de Administração de Vendas, numa empresa de grande porte, conhecida em todo o país.

– Olá, bom dia! Prazer, sou Amaral, gerente de vendas.
– Bom dia! Prazer, Sérgio!
– Ah, você é o Sérgio?!
– Sim, sou eu…
– Podemos começar, Sérgio?
– Claro!

– Bom, vejo em seu currículo, que tem 18 anos.
– Sim, tenho.
– O que te fez concorrer a esta vaga de estágio, aqui nesta empresa?
– Bem, esta empresa é grande, o que pode me permitir um plano de carreira, um crescimento profissional, aliado ao pessoal. Sou uma pessoa, que apesar de jovem, adoro desafio, e me ingressar aqui, começar uma, quem sabe, carreira aqui, é uma conquista que pretendo alcançar.
– Bom, muito bom… Você faz Administração de Empresas, né?
– Sim.
– Está em que período?
– Segundo semestre.
– Certo… Você tem interesse em ingressar-se nesta empresa pela probabilidade de uma carreira, de um crescimento profissional…
– Sim, mas para isso terei de demonstrar meu valor. É a questão de credibilidade, quanto mais eu faço, mais reconhecimento vem com isso, com meu esforço. Acho que isso me faz crescer e implica no crescimento da empresa também. Claro que me falta maturidade, mas por isso estou me candidatando e buscando oportunidades de estágio.
– Claro. Decerto gostei de sua forma de se expressar. Para esta área relacionada a vendas, é o que necessitamos, de pessoas com desenvoltura. Agora, você trabalhou a seis meses nesta empresa, como auxiliar administrativo. O que você fazia lá?
– Era Office-boy, interno e externo. A empresa era de meu tio. Mas não tive uma oportunidade de engrandecer meus conhecimentos e não via horizonte lá. O crescimento era muito restrito; pouco, bem pouco provável de acontecer.
– E você saiu de lá, por quê?
– Por isso, pela impossibilidade de crescimento. Pela escassez de agregação de conhecimento que estava adquirindo.
– Mas ficou lá por seis meses apenas…
– Porém durante esse pouco tempo já percebi que não era o lugar em que me sentia feliz.
– E você acha que aqui pode alcançar essa felicidade?
– Sim. Pretendo crescer, o que vai me tornar feliz e acho que aqui, pode ser bem possível.
– Ok. Você me falou de suas qualidade, que é uma pessoa aguerrida, com um ótimo poder de persuasão, que vem me demonstrando com sua fala. Agora quero que me relate um defeito que possui…
– Sou humano, tenho ‘n’ defeitos, assim como qualquer um tem. Mas que mais se destaca em mim é a tal da ansiedade, que me faz ser espontâneo demais. Isso eu tenho trabalhado muito para, ao menos, diminuir. Como respirar fundo e analisar bem o caso antes de tomar qualquer decisão, por exemplo.
– Ok. Conte-me um pouco sobre sua vida. O que costuma fazer nos fins de semana.
– Procuro sempre estar das pessoas que mais quero bem. Minha família e amigos. Não consigo ficar uma semana sem vê-los. Nos fins de semana, geralmente, jogo futebol aos sábados e aos domingos, em casa, fazemos um churrasco, para reunir a família.
– Ah, legal. Você é bastante sociável…
– Sim. Gosto de lidar com gente!
– Olha, Sérgio, gostei muito de seu perfil, se encaixa perfeitamente no que procuramos. E para esta vaga, é muito complicado se a gente contratasse alguém que não sabe lidar com pessoas e que têm pouca capacidade de relacionar com elas. Mas temos um porém, você é muito jovem e por isso possui pouquíssima experiência. Para esta vaga, necessitamos alguém com, no mínimo, um ano. Mas não se preocupe, seu currículo será guardado em nosso banco de dados, daqui há algum tempo, quando surgir uma nova oportunidade, tenha certeza que te chamaremos.
– Entendo… Aliás, Sr. Amaral, não entendo nada. A descrição da vaga é “Estágio em Administração de Vendas”, ou seja, vocês procuram alguém que está estudando, provavelmente, alguém jovem que possa desenvolver um trabalho e adquirir conhecimento com o passar do tempo que estiver aqui. Não compreendo, do fundo de minha alma, como pode exigir tal experiência para uma pessoa que procura estágio. Por que não contratar um profissional? Já sei! Talvez pelo fato da mão-de-obra cara, que um estagiário, otário, escravo, não custe tanto como um profissional experiente, cabido dentro de regimes CLT, não? Ora, Sr. Gerente de vendas Amaral, eu sou estudante e você mesmo ressaltou minha adequação para esta vaga. Agora me vem com essa história de experiência. Estou cagando para a experiência que necessita essa droga de vaga, miserável! Acho pouco provável que os senhores, administradores desta tão contemplada empresa, tenham em mente que o futuro somos nós e não vocês… Espero que ache alguém para este lugar, e que este alguém se torne seu chefe, e que não pense pequeno como você. Agora, me dê licença, que me vou! E direi a quem quiser ouvir que esta empresa não tem seriedade. Obrigado pela oportunidade. Essa foi minha primeira entrevista para um estágio, e espero nunca mais me deparar com o gerente de vendas chamado Amaral.

Sem sentido.

27 de junho de 2008

Já foi, será!
Sou eu quem vê
Se nada é,
Pois não quis ser
E sou depois
Meu meio e fim
E no começo
Sem dor, sem mim
Por que sopra você?
O vento é que empurrou
E pude nem saber
Que mesmo assim ficou
Inerte sem mover
E aquele que correu
Desperta em seu viver
E que agora sou eu!
Mesmo assim vivendo
Temendo os poréns
Sentindo o que não conheço
Coisas que só tu tens
Será? Já foi…
Veja você, eu
É nada se
Quiser ser..

Racional?! Não sei, não!

25 de junho de 2008

Em tardes assim, o frio sempre me leva ao passado, àquelas outras tardes de Junho. Frias como de costumes, mas muito melhores.

Não a pessoa mais nostálgica do mundo, mas é que durante esses dois últimos meses venho passando por reflexões intensas sobre o que vivi; se o que efetivamente vi foi realmente o que quis; se o que efetivamente fiz trouxe conseqüências boas pra mim, neste breve presente. O fato de estar preso ao passado se deve a possíveis arrependimentos futuros, ou seja, aquelas coisas que a gente sempre pensa se deve fazer ou não, de como fazer e quando fazer.

Eu, sempre inconseqüente, preferi, ao longo de minhas duas décadas e pouco mais de vida, fazer as coisas que o coração mandava, porém nem sempre fazia, assim vem a questão do arrependimento.

Sei dos clichês sobre arrependimento, “Só se arrepende das coisas que não se faz”, entre outros bordões deste escalão. Mas é extremamente cabível a esta atual fase minha não suportar não ter feito determinadas coisas – e sempre achei que era ousado, sou, na verdade, um bundão-medroso. Muita coisa que almejei em minha infância, por medo, não conheci e isso me tortura de forma desesperadora. Disso há arrependimento sim, o arrependimento tortuoso do não-foi-feito.

Os pensamentos, vagueando em minha mente louca, sempre fizeram da racionalidade predominadora a certas atitudes que poderiam ser tomadas. A especulação de conseqüências, o “que será que vai acontecer?”, é racional e extremamente burro! Afinal como saber se a conseqüência é boa ou ruim se nem tentou conhece-la?

Meu sentimento é revoltado. Como não pude fazer aquilo que quis? Como o ser humano é tão capaz de se censurar? Acho essa tal racionalidade retardada!

– Ora, cérebro, você tem que ouvir um pouco mais o coração!

 

Quem nunca teve dessas desilusões amorosas?
Essa é a pior coisa pra alguém, a não recíproca daquele(a) que se gosta.
Mas como superar? Melhor que o tempo dê essa resposta.
Conheço alguém que está nesta fase. Coitado…Coitado? Não sei, vai saber. O indivíduo age por instinto, poucas vezes pelo seu sentimento real.
Bilhetes, chocolates, quiçá flores não resolveram e suas correspondências nunca retornaram. A mais fácil se contentar com o não que propriamente a não-resposta. Ele fica de lá, sem saber o que mais fazer, recorre a amigos, pede conselhos, porém esses mesmos amigos não o podem ajudar; eles saber que ele quer, e realmente não podem ajudar.
Acho que é cedo pra saber, mas seus bilhetes não serão respondidos jamais, seus amigos sabem disso, mas como avisá-lo?
Melhor deixar o tempo responder…

Vai uma musiquinha aí?

19 de junho de 2008

paquetá
(rodrigo amarante)

ah, se eu agüento ouvir outro não
quem sabe um talvez ou um sim
eu mereça enfim.

é que eu já sei de cor
qual o quê dos quais
e poréns dos afins
pense bem
ou não pense assim!

eu zanguei numa cisma, eu sei
tanta birra é pirraça e só
que essa teima era eu, não vi
e hesitei, fiz o pior
do amor amuleto o que eu fiz?
deixei por aí…
descuidei, dele quase larguei
quis deixar cair.
mas não deixei
peguei no ar
e hoje eu sei
sem você sou pá-furada.

ai, não me deixe aqui
o sereno dói
eu sei, me perdi
mas êi, só me acho em ti.

que desfeita a intriga, o ó!
um capricho essa rixa; e mal
do imbróglio que quiproquó
e disso, bem, fez-se esse nó.
e desse engodo eu vi luzir
de longe o teu farol.
minha ilha perdida é aí
o meu pôr-do-sol.

Alucinação

16 de junho de 2008

Você estava lá
Olhou pra mim,
Mas fez que nem me viu
E esse teu olhar
Me fez virar pro teu lado
E comentar…
E assim foi que te vi
Você bem percebeu, me olhou, sorriu
Veio de encontro
Mas quando perto, desviou-se num fio
Eu fiquei ali
Sem saber pr’onde ir
Talvez fosse alucinação
Meu despertar foi instantâneo
Como se alguém dissesse
Se acalma, isso é de sua mente
Não se iluda com olhar, Abelar 
Se contente com o real,

Se atente ao que só de verdadeiro a vida traz,

Se aprume, rapaz!

Breno, o indomável!

13 de junho de 2008

 

Os domingos de Sol, propícios para aquelas brincadeiras típicas da Rua Quatro, em que sempre arrumávamos coisas diversas para fazer era o maior momento de das semanas. Se não tivesse um futebol, era taco… Mas me lembro que nesta época, a febre na Vila Brasília era a bicicleta. Cada um com a sua, subíamos e descíamos as ruas a ponto de atormentarem a vizinhança com as gritarias e afins.
Dona Rosa sempre reclamava, – “Essa molecada dos inferno!” – desse mesmo jeito! Pouco ligávamos, afinal como iríamos nos divertir sem barulho? – Sempre tivemos uma amizade incrível.
Crescemos juntos, aprendemos as coisas juntos, jogávamos no Estrela. Era uma época incrível. – Mas vá lá, voltemos à ‘bicicletomania’. Dentre todos da rua, destacava-se apenas um, um primo meu, recém chegado do Interior de São Paulo. Esse destaque não se refere ao mais valente, mais corajoso ou coisas desse tipo. Não! Era destacado por não sair de casa, não conversar com ninguém e o pior: não saber andar de bicicleta. Leandro, Cauê, Zé e eu, por sermos parentes, tínhamos uma missão: Ensinar a Breno, como andar de bicicleta. Sabíamos que não seria fácil, que seria muito trabalhoso ensinar nossas técnicas animais a ele.
Com o passar do tempo e com os ensinamentos, Breno – O Grande Brenosmerda – foi pegando o jeito e já estava dando suas primeiras pedaladas.
Um mês, dois, se passaram, Breno a perceber seu dom, já dominava a magrela como ninguém na rua. Empinava, dava cavalo-de-pau, andava sem as mãos no guidóm… Era espetacular vendo fazer as manobras. O porém desta fase de Breno, se devia ao fato de que ele não tinha bicicleta e andava com as nossas, que, por sinal, eram de última geração, todas de dezesseis marchas.
Breno era atrevido e quando surgiu a oportunidade de mostrar sua astúcia, logo providenciou o empréstimo da bicicleta da Priscila, sem marchas. Mas mesmo com aquela velha e enferrujada Caloi, Breno ainda realizava as manobras mais ousadas de toda a Vila.
Os dias passavam a ousadia crescia e a caloi ia se acabando, mas nada que pudesse parar Brenosmerda.
E foi que num desses domingos, todos aventurávamos descendo e subindo as ruas e o grande conosco, porém sem andar. Ele estava preparando um número espetaculoso, que passou o dia anterior inteiro desenvolvendo. Paramos de andar e Breno pegou sua enferrujada emprestada, subiu até o fim da rua, começou a descer em alta velocidade. Ficou sobre o banco, em pé – até levantamos, lá do começo da rua – “Cara, irado!!” era o que se ouvia. Breno, após essa grande manobra, sentou-se ao banco de caloi, ainda em grande velocidade. Foi então que ele percebeu, sua singela magrela havia perdido o freio. Breno, estranhamente, teve seus sentidos de domador de duas rodas vetados com essa situação. Percebemos a aflição de nosso ídolo, e gritávamos para frear, enquanto ele nos respondia, “Não dá, não dá!”. “Vira, Breno!”, e a resposta era imediata, “Não consigo!!”. Breno passou a nossa frente com um foguete indomável, descendo em velocidade constante até o muro mais próximo, o da garagem de ônibus, o ponto de referência maior de nossa Vila.
Imediatamente corremos até o local do desastre, e nos sentíamos como um país derrotado em guerra, ao ver o líder caído e sem ter referência nenhuma.
Breno foi hospitalado, com graves problemas e após um mês voltou à vila, dizendo que nunca mais na vida iria andar de bicicleta.
A Era das Bikes passou, vindo a ser substituída pela época dos Skates.
Ah, essa época era boa, agora era ainda mais radical. Nossos skates eram animais e todos da rua tinha, menos um, o Breno.
Meus primo e eu, a fim de incluir Breno tínhamos uma missão. Ensinar Breno a domar o skate!
Recuperado, Breno passou a aprender as manobras da pranchinha sobre rodas e dominou aquele objeto. Se tornou o grande ídolo dos skatistas da Vila Brasília.
Um mês, dois, se passaram, Breno a perceber seu dom, já dominava o skate como ninguém na rua.

(…)

Tarde sonolenta

Resisto ao que me intriga
Procuro o que me interessa
Nem corro, assim com pressa
Que é pra não haver qualquer briga

Pretendi ser mais o que?
Durante o tempo a percorrer
E esse quê; de não ser
Talvez preceda o anoitecer

Desde ontem quase não durmo
Pensamento vagueando no meu infinito sonhar
É tão intenso, quando sumo
Quase não querendo preguiçar

E quando às tardes estou sonolento
Intriga me vem novamente
O que simplesmente não entendo
Como isso não me faz doente

Dar chance ao suficiente
Deixar de lado o que é demais
Isso, tenho em mente
Que é pra não parar jamais

Pretendo não ser
Serei o que será
Deixando-me viver
Sem o que esperar

Resisto ao que me intriga - esse sono me mata
Prometo o que posso cumprir
Que é pra não haver qualquer briga, por isso vou devagar
Agora, com licença, me ponho a dormir

Central de Atendimento

10 de junho de 2008

– Central de Atendimento, boa tarde!
– Boa tarde! Com que eu falo?
– Joana. Em que posso ajudá-lo, senhor?
– Joana, eu gostaria de fazer o cancelamento de minha assinatura da tevê a cabo.
– Pois não senhor. Qual o número do seu RG?
– 12-469-566-5.
– Aguarde um momento, por favor…

Musiquinha…

– Eu falo com Juarez Jordano Própolis?
– Sim é ele mesmo…
– Senhor, em que posso ajudá-lo senhor?
– Joana?
– Não, aqui que fala é Paloma…
– Oi, Paloma. Eu havia informado a Joana, que gostaria de cancelar minha assinatura da tevê a cabo.
– Qual o seu código de assinante, senhor?
– Que código?! Não sei de nenhum código, não…
– Este código se encontra acima do código de barras, na sua conta.
– Espera aí, tenho que pegar essa conta…

(…)

– Alô!
– Pois não senhor, conseguiu o código?
– Sim. É 18-462-564-8963 tracinho 2.
– Um momento, por favor…

Musiquinha…

– Senhor Juarez?
– Sim!
– Senhor, aqui quem fala é Rebeca, tudo bom?
– Olha aqui, Rebeca. Não estou pra brincadeira! Primeiro falei com uma Joana, depois Paloma e agora você, e ainda não consegui fazer o que quero! Será que é demais?! Estou querendo encerrar minha assinatura com esta porcaria de vocês, já estou há meia hora no telefone e ainda não consegui!!!
– Ok, senhor. Estamos aqui para melhor atendê-lo. Por favor, me informe seu CPF…
– PQP!!! Não seria mais simples buscar pelo meu nome, ou vocês são burras demais pra isso?! Não vou informar meu CFP coisa nenhuma!
– Senhor, por que se altera? Eu vou estar verificando esse cancelamento… Um momento…

Musiquinha…

– Sr.Juarez, em que posso ajudá-lo?
– Sim! Quem é nessa p…?!
– Olá senhor, aqui quem fala é Diogo, como vai?
– Péssimo, seu FDP!
– Senhor, se passar a me ofender eu não posso ajudá-lo…
– Dane-se! Vai à merda você e toda essa equipe!
– Senhor acalme-se!
– Estava calmo, até ligar para vocês!
– Senhor, já que está insatisfeito com nossos serviços, por que não cancela a sua assinatura?

Tu-tu-tu-tu…

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