22 de novembro de 2008
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Quando se tornou jovem, criou asas, quis voar, mas não sabia pra onde.
Quando adulto era, suas asas já bem alinhadas, direcionavam todos seus caminhos. Porém o que não funcionava era a cabeça, que teimava em levá-lo pra lugar nenhum, a ponto de ele nem querer voar.
Tomou a viola em teus braços, cortou suas próprias asas e decidiu apenas caminhar, pra onde ele não queria ver, somente chegar.
Talvez chegasse, mas a tal vontade de voar de quando era jovem…
[...]
16 de novembro de 2008
Se bem disseres que sim
Farás a mim, um enorme bem
Pr’uma vida ser doce
É contigo que minh’alma está em par comigo
E sem ti, jamais serei eu…
Tu és eu, como se vida não fosse nada além de nós
Sem tu sou ninguém, sou ninguém…
[Thiago Benício, Dezembro de 2006]
4 de novembro de 2008
Todo instante que passávamos juntos
Era uma celebração, como a Epifania,
No mundo inteiro, nós dois sozinhos.
Eras mais audaciosa, mais leve que a asa de um pássaro,
Estonteante como uma vertigem, corrias escada abaixo
Dois degraus por vez, e me conduzias
Por entre lilases úmidos, até seu domínio,
No outro lado, para além do espelho.
*
Quando chegava a noite eu conseguia a graça,
Os portões do altar se escancaravam,
E nossa nudez brilhava na escuridão
Que caía vagarosa. E ao despertar
Eu dizia: "Abençoada sejas!"
E sabia que minha bênção era impertinente:
Dormias, os lilases estendiam-se da mesa
Para tocar tuas pálpebras com um universo de azul,
E tu recebias o toque sobre as pálpebras,
E elas permaneciam imóveis, e tua mão ainda estava quente.
*
E tu seguravas uma esfera de cristal nas mãos,
Sentada num trono ainda adormecida,
E - deus do céu! - tu me pertencias.
Acordavas e transfiguravas
As palavras que as pessoas pronunciavam todos os dias,
E a fala enchia-se até transbordar
de poder ressonante, e a palavra "tu"
Descobria seu novo significado: "rei".
Objetos comuns transfiguravam-se imediatamente,
Tudo - o jarro, a bacia - quando,
Entre nós como uma sentinela,
Era colocada a água, laminar e firme.
*
Éramos conduzidos, sem saber para onde;
Como miragens, diante de nós recuavam
Cidades construídas por milagre,
Havia hortelã silvestre sob nossos pés,
Pássaros faziam a mesma rota que nós,
E no rio os peixes nadavam correnteza acima,
E o céu se desenrolava diante de nossos olhos.
*
Enquanto isso o destino seguia nossos passos
Como um louco de navalha na mão.
[Arseni(y) Tarkovski]