A desgraceira de um calango candango do mato
3 de outubro de 2008
A mulé vaidosa
Doce como rapadura
Mole como gostosa
Que eu faço dela minha pura
Mas se não fosse pelo diacho dos cabruco do sertão
Eu até iria até o chão…
E pr’as bala num me pegar
Pro mato corri, nem vi noite nem cão
Ah, moléstia!
Peguei-me na pexêra
Com o sanue no zóio
Pra enfiar no bucho do cabra que tirou-me a esteira
Eu e minha vestimenta suja
No agreste não se vê coisa diferente
No cangasso da vida dura
Mesmo assim vivia sorridente
Porque minha mulé ali estava
Suja e mal lavada
Com os dente tudo torto
Que a peste de um tal de ‘dentista’ num consertava
A coisa ficou bruta
Que nem pitomba com macaxeira
Quando vi a bunda dela
Parecendo com britadeira
O tempo foi passando
Eu logo acostumando
Com a vida de corno que levava
E ela assim, mas chifrava
Certo dia, por obséquio, deixe-me lhe explicar
Tú me agrida de forma valente,
Mas homem macho que sou
Te deixo sem dente
Vi uma vaca ontem
Vi que ela tava gamada
Num elefante cor de abacate
Que da vaca ficou embuchada
Coisas assim, meio esquisitas
Lá na terrinha tem disso não
Só vejo vaca com elefante
Depois que sai do sertão
Minha mulé me abandonou
Deixou eu assim
Todo torto
Mas cuma vontade de rir


Comentário por Brunninha Duarte — 3 de outubro de 2008 (13:05)
Diferentes suas poesias… gostei. Tb sou poetisa!
Beijos
Comentário por Brunninha Duarte — 3 de outubro de 2008 (13:13)
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