Carta à do Ceará.
5 de junho de 2008
Ora, você, pequena!
Santo não sou, tampouco é o que pretendo ser. E você nem me conhece; não só pela distância, mas também, pelo pouco que falou comigo.
A perfeição foge de mim, assim como qualquer um foge do que não lhe convém. Tenho o privilégio – agora pode fugir-me a modéstia – de saber notar algumas coisas pequenas, que quase não são notadas.
O que sempre escrevo provém de mim por mim mesmo, quase sempre, não pra alguém. Esses escritos são de meus sentidos mais particulares.
Desculpe, sou assim. Não iludo ninguém, assim como pouco me iludo. Não quis nada contigo, ainda nem quero. Não sou de prever o futuro, mas não é de meu te interesse te ter como minha.
Admiro seu apreço pro mim, mesmo sem me conhecer, mas é que insisto em realidade, e o fato é que eu nem sei que sou.
Peço que não me espere nunca, pois esperar é demais, ainda mais por alguém que nem sabe como é. Procure em seu momento, seu instante, assim esquece de quem nunca se lembrou.

