Inesperada Introspecção

“Pensamentos clandestinos invasores de um comum.”

Sem sentido.

27 de junho de 2008

Já foi, será!
Sou eu quem vê
Se nada é,
Pois não quis ser
E sou depois
Meu meio e fim
E no começo
Sem dor, sem mim
Por que sopra você?
O vento é que empurrou
E pude nem saber
Que mesmo assim ficou
Inerte sem mover
E aquele que correu
Desperta em seu viver
E que agora sou eu!
Mesmo assim vivendo
Temendo os poréns
Sentindo o que não conheço
Coisas que só tu tens
Será? Já foi…
Veja você, eu
É nada se
Quiser ser..

Racional?! Não sei, não!

25 de junho de 2008

Em tardes assim, o frio sempre me leva ao passado, àquelas outras tardes de Junho. Frias como de costumes, mas muito melhores.

Não a pessoa mais nostálgica do mundo, mas é que durante esses dois últimos meses venho passando por reflexões intensas sobre o que vivi; se o que efetivamente vi foi realmente o que quis; se o que efetivamente fiz trouxe conseqüências boas pra mim, neste breve presente. O fato de estar preso ao passado se deve a possíveis arrependimentos futuros, ou seja, aquelas coisas que a gente sempre pensa se deve fazer ou não, de como fazer e quando fazer.

Eu, sempre inconseqüente, preferi, ao longo de minhas duas décadas e pouco mais de vida, fazer as coisas que o coração mandava, porém nem sempre fazia, assim vem a questão do arrependimento.

Sei dos clichês sobre arrependimento, “Só se arrepende das coisas que não se faz”, entre outros bordões deste escalão. Mas é extremamente cabível a esta atual fase minha não suportar não ter feito determinadas coisas – e sempre achei que era ousado, sou, na verdade, um bundão-medroso. Muita coisa que almejei em minha infância, por medo, não conheci e isso me tortura de forma desesperadora. Disso há arrependimento sim, o arrependimento tortuoso do não-foi-feito.

Os pensamentos, vagueando em minha mente louca, sempre fizeram da racionalidade predominadora a certas atitudes que poderiam ser tomadas. A especulação de conseqüências, o “que será que vai acontecer?”, é racional e extremamente burro! Afinal como saber se a conseqüência é boa ou ruim se nem tentou conhece-la?

Meu sentimento é revoltado. Como não pude fazer aquilo que quis? Como o ser humano é tão capaz de se censurar? Acho essa tal racionalidade retardada!

– Ora, cérebro, você tem que ouvir um pouco mais o coração!

 

Quem nunca teve dessas desilusões amorosas?
Essa é a pior coisa pra alguém, a não recíproca daquele(a) que se gosta.
Mas como superar? Melhor que o tempo dê essa resposta.
Conheço alguém que está nesta fase. Coitado…Coitado? Não sei, vai saber. O indivíduo age por instinto, poucas vezes pelo seu sentimento real.
Bilhetes, chocolates, quiçá flores não resolveram e suas correspondências nunca retornaram. A mais fácil se contentar com o não que propriamente a não-resposta. Ele fica de lá, sem saber o que mais fazer, recorre a amigos, pede conselhos, porém esses mesmos amigos não o podem ajudar; eles saber que ele quer, e realmente não podem ajudar.
Acho que é cedo pra saber, mas seus bilhetes não serão respondidos jamais, seus amigos sabem disso, mas como avisá-lo?
Melhor deixar o tempo responder…

Vai uma musiquinha aí?

19 de junho de 2008

paquetá
(rodrigo amarante)

ah, se eu agüento ouvir outro não
quem sabe um talvez ou um sim
eu mereça enfim.

é que eu já sei de cor
qual o quê dos quais
e poréns dos afins
pense bem
ou não pense assim!

eu zanguei numa cisma, eu sei
tanta birra é pirraça e só
que essa teima era eu, não vi
e hesitei, fiz o pior
do amor amuleto o que eu fiz?
deixei por aí…
descuidei, dele quase larguei
quis deixar cair.
mas não deixei
peguei no ar
e hoje eu sei
sem você sou pá-furada.

ai, não me deixe aqui
o sereno dói
eu sei, me perdi
mas êi, só me acho em ti.

que desfeita a intriga, o ó!
um capricho essa rixa; e mal
do imbróglio que quiproquó
e disso, bem, fez-se esse nó.
e desse engodo eu vi luzir
de longe o teu farol.
minha ilha perdida é aí
o meu pôr-do-sol.

Alucinação

16 de junho de 2008

Você estava lá
Olhou pra mim,
Mas fez que nem me viu
E esse teu olhar
Me fez virar pro teu lado
E comentar…
E assim foi que te vi
Você bem percebeu, me olhou, sorriu
Veio de encontro
Mas quando perto, desviou-se num fio
Eu fiquei ali
Sem saber pr’onde ir
Talvez fosse alucinação
Meu despertar foi instantâneo
Como se alguém dissesse
Se acalma, isso é de sua mente
Não se iluda com olhar, Abelar 
Se contente com o real,

Se atente ao que só de verdadeiro a vida traz,

Se aprume, rapaz!

Breno, o indomável!

13 de junho de 2008

 

Os domingos de Sol, propícios para aquelas brincadeiras típicas da Rua Quatro, em que sempre arrumávamos coisas diversas para fazer era o maior momento de das semanas. Se não tivesse um futebol, era taco… Mas me lembro que nesta época, a febre na Vila Brasília era a bicicleta. Cada um com a sua, subíamos e descíamos as ruas a ponto de atormentarem a vizinhança com as gritarias e afins.
Dona Rosa sempre reclamava, – “Essa molecada dos inferno!” – desse mesmo jeito! Pouco ligávamos, afinal como iríamos nos divertir sem barulho? – Sempre tivemos uma amizade incrível.
Crescemos juntos, aprendemos as coisas juntos, jogávamos no Estrela. Era uma época incrível. – Mas vá lá, voltemos à ‘bicicletomania’. Dentre todos da rua, destacava-se apenas um, um primo meu, recém chegado do Interior de São Paulo. Esse destaque não se refere ao mais valente, mais corajoso ou coisas desse tipo. Não! Era destacado por não sair de casa, não conversar com ninguém e o pior: não saber andar de bicicleta. Leandro, Cauê, Zé e eu, por sermos parentes, tínhamos uma missão: Ensinar a Breno, como andar de bicicleta. Sabíamos que não seria fácil, que seria muito trabalhoso ensinar nossas técnicas animais a ele.
Com o passar do tempo e com os ensinamentos, Breno – O Grande Brenosmerda – foi pegando o jeito e já estava dando suas primeiras pedaladas.
Um mês, dois, se passaram, Breno a perceber seu dom, já dominava a magrela como ninguém na rua. Empinava, dava cavalo-de-pau, andava sem as mãos no guidóm… Era espetacular vendo fazer as manobras. O porém desta fase de Breno, se devia ao fato de que ele não tinha bicicleta e andava com as nossas, que, por sinal, eram de última geração, todas de dezesseis marchas.
Breno era atrevido e quando surgiu a oportunidade de mostrar sua astúcia, logo providenciou o empréstimo da bicicleta da Priscila, sem marchas. Mas mesmo com aquela velha e enferrujada Caloi, Breno ainda realizava as manobras mais ousadas de toda a Vila.
Os dias passavam a ousadia crescia e a caloi ia se acabando, mas nada que pudesse parar Brenosmerda.
E foi que num desses domingos, todos aventurávamos descendo e subindo as ruas e o grande conosco, porém sem andar. Ele estava preparando um número espetaculoso, que passou o dia anterior inteiro desenvolvendo. Paramos de andar e Breno pegou sua enferrujada emprestada, subiu até o fim da rua, começou a descer em alta velocidade. Ficou sobre o banco, em pé – até levantamos, lá do começo da rua – “Cara, irado!!” era o que se ouvia. Breno, após essa grande manobra, sentou-se ao banco de caloi, ainda em grande velocidade. Foi então que ele percebeu, sua singela magrela havia perdido o freio. Breno, estranhamente, teve seus sentidos de domador de duas rodas vetados com essa situação. Percebemos a aflição de nosso ídolo, e gritávamos para frear, enquanto ele nos respondia, “Não dá, não dá!”. “Vira, Breno!”, e a resposta era imediata, “Não consigo!!”. Breno passou a nossa frente com um foguete indomável, descendo em velocidade constante até o muro mais próximo, o da garagem de ônibus, o ponto de referência maior de nossa Vila.
Imediatamente corremos até o local do desastre, e nos sentíamos como um país derrotado em guerra, ao ver o líder caído e sem ter referência nenhuma.
Breno foi hospitalado, com graves problemas e após um mês voltou à vila, dizendo que nunca mais na vida iria andar de bicicleta.
A Era das Bikes passou, vindo a ser substituída pela época dos Skates.
Ah, essa época era boa, agora era ainda mais radical. Nossos skates eram animais e todos da rua tinha, menos um, o Breno.
Meus primo e eu, a fim de incluir Breno tínhamos uma missão. Ensinar Breno a domar o skate!
Recuperado, Breno passou a aprender as manobras da pranchinha sobre rodas e dominou aquele objeto. Se tornou o grande ídolo dos skatistas da Vila Brasília.
Um mês, dois, se passaram, Breno a perceber seu dom, já dominava o skate como ninguém na rua.

(…)

Tarde sonolenta

Resisto ao que me intriga
Procuro o que me interessa
Nem corro, assim com pressa
Que é pra não haver qualquer briga

Pretendi ser mais o que?
Durante o tempo a percorrer
E esse quê; de não ser
Talvez preceda o anoitecer

Desde ontem quase não durmo
Pensamento vagueando no meu infinito sonhar
É tão intenso, quando sumo
Quase não querendo preguiçar

E quando às tardes estou sonolento
Intriga me vem novamente
O que simplesmente não entendo
Como isso não me faz doente

Dar chance ao suficiente
Deixar de lado o que é demais
Isso, tenho em mente
Que é pra não parar jamais

Pretendo não ser
Serei o que será
Deixando-me viver
Sem o que esperar

Resisto ao que me intriga - esse sono me mata
Prometo o que posso cumprir
Que é pra não haver qualquer briga, por isso vou devagar
Agora, com licença, me ponho a dormir

Central de Atendimento

10 de junho de 2008

– Central de Atendimento, boa tarde!
– Boa tarde! Com que eu falo?
– Joana. Em que posso ajudá-lo, senhor?
– Joana, eu gostaria de fazer o cancelamento de minha assinatura da tevê a cabo.
– Pois não senhor. Qual o número do seu RG?
– 12-469-566-5.
– Aguarde um momento, por favor…

Musiquinha…

– Eu falo com Juarez Jordano Própolis?
– Sim é ele mesmo…
– Senhor, em que posso ajudá-lo senhor?
– Joana?
– Não, aqui que fala é Paloma…
– Oi, Paloma. Eu havia informado a Joana, que gostaria de cancelar minha assinatura da tevê a cabo.
– Qual o seu código de assinante, senhor?
– Que código?! Não sei de nenhum código, não…
– Este código se encontra acima do código de barras, na sua conta.
– Espera aí, tenho que pegar essa conta…

(…)

– Alô!
– Pois não senhor, conseguiu o código?
– Sim. É 18-462-564-8963 tracinho 2.
– Um momento, por favor…

Musiquinha…

– Senhor Juarez?
– Sim!
– Senhor, aqui quem fala é Rebeca, tudo bom?
– Olha aqui, Rebeca. Não estou pra brincadeira! Primeiro falei com uma Joana, depois Paloma e agora você, e ainda não consegui fazer o que quero! Será que é demais?! Estou querendo encerrar minha assinatura com esta porcaria de vocês, já estou há meia hora no telefone e ainda não consegui!!!
– Ok, senhor. Estamos aqui para melhor atendê-lo. Por favor, me informe seu CPF…
– PQP!!! Não seria mais simples buscar pelo meu nome, ou vocês são burras demais pra isso?! Não vou informar meu CFP coisa nenhuma!
– Senhor, por que se altera? Eu vou estar verificando esse cancelamento… Um momento…

Musiquinha…

– Sr.Juarez, em que posso ajudá-lo?
– Sim! Quem é nessa p…?!
– Olá senhor, aqui quem fala é Diogo, como vai?
– Péssimo, seu FDP!
– Senhor, se passar a me ofender eu não posso ajudá-lo…
– Dane-se! Vai à merda você e toda essa equipe!
– Senhor acalme-se!
– Estava calmo, até ligar para vocês!
– Senhor, já que está insatisfeito com nossos serviços, por que não cancela a sua assinatura?

Tu-tu-tu-tu…

O Salva-Vidas II

9 de junho de 2008

 

“(…) Estávamos em oito carros descendo a serra, rumo à baixada para aquele fim de semana de sol. Em todos os carros, havia uma família. Nós combinamos que seria o fim de semana mais inesquecível de nossas vidas e que nada poderia nos atrapalhar. Essa afirmação foi errônea…

A Imigrantes estava vazia e os oito carros enfileirados a curtir tal paisagem serrana. Comunicávamos ao telefone, quando havia necessidade de parar ou coisa assim. O dia ensolarado contribuía para a harmonia que sentíamos até então… Após o último túnel – aquele longo, de, no mínimo, 3 km – O tempo já se mostrava cinza. O vento frio e serra pouco visível, parecendo mostrar um tom de desconforto, a ponto de desorientar nossa harmonia, sentida antes de tais fatores. Parecia ser um sinal…

Eis que, olhando para trás, minha mulher não enxerga o último carro – éramos o sétimo.

– Bem, o carro de trás não esta aqui!! – Acentuou minha esposa ao fato. Estávamos tão próximos há pouco, e naquele momento o último carro havia parado.

O telefone toca, eu atendo:
– Alô!
– Alô!
– Oi! Vocês pararam?!
– Estamos sendo assaltados por uma leva de motoqueiros mal-encarados. Parece que são durões. Pelo amor de Deus, nos ajude!

Comuniquei no exato momento todos os outros amigos dos carros da frente. Era o momento de ajudar um amigo em perigo!
Logo saí em cavalo-de-pau, e todos os outros fizeram o mesmo. Era o primeiro da frota dos carros-amigos, como um líder de batalha, que guia seus soldados para derrotar os inimigos. Ao retornar, nos deparamos com a situação: Cinco motos, cada uma com duas pessoas, a rodear o carro-amigo número oito. Estacionei meu carro e todos os outros fizeram o mesmo, Desci e, juntamente com meus amigos, partimos em busca de justiça e salvar o carro nº. 8, que estava em apuros.
Cada um, com sua habilidade, rendeu facilmente cada um dos mal-feitores. Nosso amigo, do carro nº. 3, era delegado e guardava algumas algemas em seu porta-malas. Sim, foi o que fizemos, algemamos os bad-moto-boys no guardirreio e chamamos as viaturas locais para colocar um basta nos cafajestes! E como num passo de mágica, o céu se abriu, mostrando o Sol radiante, como deveria ser. Até a natureza reconheceu a justiça feita…”.

Confiança

Você nem sabe o que achei
Você nem sabe o que perdeu
Foi demais e eu fiquei bem
Até esqueci de você

Ah, se soubesse onde fui, o que por lá eu fui fazer
Não quer saber se pra lá voltei
Bem, melhor ‘cê não saber
Pra não haver mais discussão

Pode morrer de curiosidade
Que já me dei por satisfeito
Acredite, não é por maldade
Mas não quero levar, remorso em meu peito

Se lembra de quando te dei flores?
Você nem ligou
Aquela caixinha de chocolate
Você rejeitou

Agora cá estou
E você me vem a reclamar
Que triste ficou
Por eu não te levar?

Ora, meu bem
O peso é o mesmo
Não me deu valor
Agora sofre com desprezo

Agora cá estou
E você, nem pra me receber bem?
Só porque estive fora?
E confiança, não tem?

Ora, meu bem…

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