A Mulher do sumido
25 de março de 2008
(…)
E já eram passadas 48 horas de seu sumiço. Todos ali pensavam que poderia ter morrido ou coisa assim. A mãe, que já enfraquecida pelo tempo, quase não suportava mais a angústia de se pensar a perda de um fruto seu. A mulher, que durante os tempos mais importantes e cruciais da vida, teme ao ver num destino, ela só. O filho, já casado pouco lembrava dele, nem mesmo em momentos assim.
Todos que naquela sala estavam, narravam estórias do indivíduo; que era sempre brincalhão, sempre o honesto do bairro e um exemplo a seguir.
Por ora sempre havia um comentario adverso às opiniões, - “Não é assim! Sabemos que ninguém é perfeito! Nem mesmo o filho está aqui. Se fosse bom…” – poucos davam importância a alerta feita por uma senhora pouco conhecida na Vila Monte Contente.
“Oh, Benjamin, o que será de nós sem você, meu amigo? A quem iremos seguir?!” – Questiona um fiel amigo.
A sala, por instantes, ficava sem som, como se não houvesse ninguém no local. Havia ar de dor e perda na maioria, porém, Dona Zefa, esperava por seu marido esperançosamente.
—
O tempo agora pouco importava, pois cinco dias, quando há de se esperar, mesmo parecem quarenta e oito horas, não havia como medi-lo. A vida na Vila seguia sua rotina, os vizinhos a trabalhar, as crianças a brincar. Dona Zefa, da sala pouco saía. Fazia sempre aquele bolinho de chuva, que tanto Sr. Benjamin adorava, arrumava a mesa e preparava duas xícaras de café, como sempre fazia. O dia acabava e seu marido não havia de retornar, então limpava tudo, ia até a cama e deitava, como se aguardasse ainda o retorno de seu amado. Isso era repetido diariamente; nada mais tomava conta dos pensamentos da pobre senhora, que não o regresso de seu senhor.
Como ainda não tinha encontrado seu marido, ao persistir das idéias das amigas do bairro, eis que Zefa, com dor ainda, decidi levar a vida e retirar-se da ilusão que vivia. Porém, no mesmo dia que se clarearam as nuvens de angústia, uma notícia: Sr. Benjamin havia morrido de morte morrida no caminho da casa de seu filho - aquele que nunca havia se importado com o pai. – Ele sempre se sentiu culpado por não ter aproximação com seu único fruto.
Dona Zefa, respirou aliviada, sabendo que seu marido estava bem e aguardando-a. Decidiu, então, acompanhá-lo, encontra-lo, olhando que tudo que vivera foi ao lado de seu primeiro e único amor e que já não havia necessidade de, ali, continuar sem ele, sozinha, pois não conseguiria. Fechou os olhos, como se soubesse que estava de partida, agarrada a uma foto do Sr. Benjamin, assim foi ao encontro daquele que era seu único motivo de viver.

