Caminhada
10 de março de 2008
Em dias normais, a vida caminha por penas próprias. Mas não hoje.
Hoje o dia aparenta a plenitude da calmaria de tudo que há por aí.
É difícil, pois a calmaria traz tanta paz, que sentimentos desconfiam dela. Pois assim não é o de costume. Aquele desassossego todo é coisa normal, não isso!
Sento-me como se estivesse flutuando sobre mim mesmo. Minhas pernas parecem cansadas, mas nem percebem tal cansaço a ponto de parar. Tornar a caminhada de meu ser é fato, e hoje descubro de tal modo que minha existência nada mais vale de que caminhar e tornar verdadeiro o sentimento de caminhar.
Os cainhos a percorrer são óbvios, porém procuro o outro lado. Como disse, em dias normais a vida caminhas por pernas próprias, mas hoje não.
E foi sempre difícil ter de me buscar de muitos lugares; ter de me resgatar de mim mesmo. Sempre tive comigo a exatidão que o maior perigo é o eu mesmo! Não paro de pensar que o problema é o nós e que a solução sempre há de ser eles.
Errôneo de minha exatidão caótica é essa pauta. Nunca soube de mim mesmo à fundo. Nunca mesmo. Tenho de descobrir ainda.
Mas a caminhada é longa, cansativa, porém prazerosa. É a sensação boa de se chegar após muito caminhar.
A calmaria de hoje me atormenta a paz que tenho ao perceber que tudo, de fato, está bem. Mas vá lá, quando as coisas estão bem? Quando está tudo muito bem?!

