Inesperada Introspecção

“Pensamentos clandestinos invasores de um comum.”

O Filho do Rei

2 de outubro de 2007

“Em dias de frio, como quem nada quer, sai disperso do conforto de seu lar, para, em noites, consumir o ruim.” – Era assim o pensamento de quem o conhecia, ao menos o via, pensando que logo haveria fim.

Volta cedo, lá pelas seis. À noite, lá vai ele outra vez, dizendo que logo chega. – “Esse é o filho do Rei?”.

Das vezes que dizia ser homem feito
De pena eram os risos à ele dirigidos
Qual um ninguém um lugar algum
Questionavam alteza ao que se dizia filho

Em riquezas dadas, daria nenhum valor
Se o que, de fato, sentia era solidão
De alguém que tudo tinha
- “Mas e amor?!” – “Tinha não!”.

As saídas se justificavam
Era pra esconder os prantos
Do homem só que era
Naquela moça via seus acalantos e encantos

A liberdade da mente se faz presente
Opunha à do corpo
Que fazia fugir por instantes
Um momento pouco feliz de quem ria pouco
Gostava é de ver o tempo parar
Daquela vidraça enorme da janela, com os pensamentos soltos

Ligava não, o oposto era o que é, o que o faz ser.
À tradição se contraditou, porém se compôs
Mas que ali dentro, já dissera
O filho do Rei, com seu sonho além da janela.

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