31 de março de 2009
Sou eu, fui
Esse ser é mesmo que sentir
Quando fui em pensar ser, sinto ainda mais
Que esse meu ver nada mais que é que não lembrar
E vejo, porém, o que sinto
Lá na frente, é o que vi sempre
Que eu serei o que sempre fui.
28 de fevereiro de 2009
Disse eu a um velho amigo castigado pelo excesso de individualidade e responsabilidade:
– Pegue sua maleta de trabalho
Jogue-a no banco de trás
Vá à estrada e esqueça tudo
O tempo árduo agora jaz
Â
Ele respondeu:
– E até que eu faria
Mas como será o depois?
Minha vida é abrupta
E assim tenho bem mais
Â
– Tem mais o quê?
Se não nem vive pra você
O que tem é nada além
Que o medo de viver
Â
– Vivo sim e vivo bem
Como estou e como é
Tudo que tenho é pra mim
Se não corresse jamais teria
Â
– Então, pois é…
Quantos amigos é que tem?
Quem é que joga com você
Veja só o quanto tem
E não partilha com ninguém
Â
– Minha fé é ver-me bem
Além de quaisquer poréns
Sei que sou e vou dizer
Sou feliz como eu sou
Â
– Não se trata de mostrar
É que nem você nem eu
Queremos, jamais, brigar
E diz em tanto quando tem demais
Â
E completei:
– Tem demais materiais
E nada pra completar
Essa falta que te faz
Ter alguém pra partilhar…
1 de janeiro de 2009
Do que, neste último ano, fiz
O que tiro de bom é muito pouco
Incerto de seria bom, mas esperançoso era
Sem mesmo pensar no que faria
Â
Melhor, talvez… E…
Isso de deixar pra mais tarde
Levou-me até aqui, pra tentar outra vez
Â
E tentar guardar o que ficou
Â
Nesse novo ano aÃ
Ouvirei mais meu coração, isso eu quero
Verei se dará certo
E tenho certeza de que meu destino é recheado de acaso e de sonho…
Â
Feliz Ano Novo.
25 de dezembro de 2008
Criei dentro de mim mesmo a esperança
E farei com que mereça o sonho que tenho
E seja lá como estiver nesse tempo
Sonho meu fará, merecidamente, meu próprio destino
Assim que sobreponha meu desencanto
Pelos mais desprovidos de si mesmos
Achei na minha história mseu caminho único
E continuo sonhando em meu acaso
Mesmo que grande parte de meu destino está inalcansável
"Sonho é destino"
E, tomara, seja lá, em meu destino, superior a tudo isso
.
.
.
Sonho
Como
Estivesse
Distante
De
Nós
Nem
Mesmo
Eu
Nem
Você
Pois
Se
Fossemos
Seríamos
Todos
Destino.
.
.
.
Quero algo pra beber, pra poder me vangloriar daquilo tudo que nunca fiz… E você me verá, com esta sua cara de assustada, que sou bem mais do que eu nunca poderia ser. Mas estamos bem, isso é que importa. A relação é mais com as pessoas do que com o lugar.
Bom Natal.
22 de novembro de 2008
[...]
Quando se tornou jovem, criou asas, quis voar, mas não sabia pra onde.
Quando adulto era, suas asas já bem alinhadas, direcionavam todos seus caminhos. Porém o que não funcionava era a cabeça, que teimava em levá-lo pra lugar nenhum, a ponto de ele nem querer voar.
Tomou a viola em teus braços, cortou suas próprias asas e decidiu apenas caminhar, pra onde ele não queria ver, somente chegar.
Talvez chegasse, mas a tal vontade de voar de quando era jovem…
[...]
16 de novembro de 2008
Se bem disseres que sim
Farás a mim, um enorme bem
Pr’uma vida ser doce
É contigo que minh’alma está em par comigo
E sem ti, jamais serei eu…
Tu és eu, como se vida não fosse nada além de nós
Sem tu sou ninguém, sou ninguém…
[Thiago Benício, Dezembro de 2006]
4 de novembro de 2008
Todo instante que passávamos juntos
Era uma celebração, como a Epifania,
No mundo inteiro, nós dois sozinhos.
Eras mais audaciosa, mais leve que a asa de um pássaro,
Estonteante como uma vertigem, corrias escada abaixo
Dois degraus por vez, e me conduzias
Por entre lilases úmidos, até seu domínio,
No outro lado, para além do espelho.
*
Quando chegava a noite eu conseguia a graça,
Os portões do altar se escancaravam,
E nossa nudez brilhava na escuridão
Que caía vagarosa. E ao despertar
Eu dizia: "Abençoada sejas!"
E sabia que minha bênção era impertinente:
Dormias, os lilases estendiam-se da mesa
Para tocar tuas pálpebras com um universo de azul,
E tu recebias o toque sobre as pálpebras,
E elas permaneciam imóveis, e tua mão ainda estava quente.
*
E tu seguravas uma esfera de cristal nas mãos,
Sentada num trono ainda adormecida,
E - deus do céu! - tu me pertencias.
Acordavas e transfiguravas
As palavras que as pessoas pronunciavam todos os dias,
E a fala enchia-se até transbordar
de poder ressonante, e a palavra "tu"
Descobria seu novo significado: "rei".
Objetos comuns transfiguravam-se imediatamente,
Tudo - o jarro, a bacia - quando,
Entre nós como uma sentinela,
Era colocada a água, laminar e firme.
*
Éramos conduzidos, sem saber para onde;
Como miragens, diante de nós recuavam
Cidades construídas por milagre,
Havia hortelã silvestre sob nossos pés,
Pássaros faziam a mesma rota que nós,
E no rio os peixes nadavam correnteza acima,
E o céu se desenrolava diante de nossos olhos.
*
Enquanto isso o destino seguia nossos passos
Como um louco de navalha na mão.
[Arseni(y) Tarkovski]
20 de outubro de 2008
Ela me olhou e me jogou um beijo de lá
Eu bem reparei e me deixei levar
Ela me contou que me viu ali chegar
Eu experimentei o gosto daquele olhar
Hoje me prendi tanto nesse tal amor
De tanto deixa-la e ela a me sufocar
Com teu olhar, que por fim sobrou
Ainda assim, o meu não consigo desviar
Meu Deus do céu
O que faz essa mulher?
Parece tirar o véu
Pra eu cavar com colher…
Meu próprio buraco escuro
Longe de mim mesmo
E essa prisão do mundo
Quero de mesmo eu
Mas não, ela está sempre aqui
Como quem se jogou em mim
E aquele beijo jogado de lá
Eu mereço, enfim
De praxe vou dizendo que não
Mas sabe que sim
É o que eu tenho nela
Ela, bem mais, procura em mim
E esse é nosso jeito de ser
Amar, olhar e sentir também
E vejo naquele olhar
Essa verdade que só ela tem
Ela me jogou um beijo de lá
Eu logo, cá, peguei e guardei
Disseram que íamos casar
Nem ela, nem eu mesmo sei…
14 de outubro de 2008
"Não…
Não é respeito!
É carinho, minha pequena.
Respeito, por qualquer posso ter,
Mas afeto, não.
Não sei se sabe,
Mas queria é te ter,
Pelo reto de minha eternidade,
Mesmo que seja ela, um mês. "
10 de outubro de 2008
"Sonho é bom,
quando estamos acordados.
Pois assim,
o vivemos mais!
Eu vivo é com você…"