No trem…
29 de dezembro de 2010
Recentemente, o Bruno Medina postou em seu blog (Instante Posterior) a briga hilária por um espaço no encosto para o braço em um ônibus. Isso me remeteu a várias situações ocorridas comigo e conhecidos. Mas o que me inspirou não foi plagiar seus comentários em relação a sua viagem; não… O que venho aqui compartilhar é a árdua batalha por um mísero lugar nos vagões dos trens da CPTM.
Após um dia cansativo no trabalho, o que o cidadão de bem (ou alguns) espera , é apenas ir para casa, tomar um banho confortador e debruçar-se sobre aquele sofá de dois lugares que tanto o acomoda, a ponto de esquecer de todo problema que entorna sua vida. O porém é que nem todos têm essa sorte, de sair ileso dos percalços do caótico sistema de transporte paulistano. Há quem enfrente um pequeno trânsito de ônibus; percurso daqueles que, costuma demorar 205% a mais do que leva aos finais de semana, e há quem prefira a agilidade dos trens e tem coragem o suficiente para estar alheio a “encoxadas”, “cafungadas”, empurrões e pisadas nos pés. O mais impressionante desta história, é que em um trajeto com, em média, 12 estações (linha 9 – Esmeralda), bem mais de 20 km, este meio costuma demorar de 45 a 55 minutos de ponta a ponta. Como se diz, tudo tem seu preço, seu ‘problema’, sua questão e o deste é justamente o aperto, a quantidade de corajosos que arriscam sua integridade física e psicológica para tentar chegar em casa antes do Jornal Nacional.
Ontem não foi diferente, passaram-se um, dois, três, quatro trens com os vagões impenetráveis. Nem mesmo uma pessoa de 20 cm de altura, pesando 90 gramas não conseguiria entrar naquelas circunstâncias. Gente atropelando gente, feito uma debandada de búfalos africanos, como os do filme “O Rei Leão”.
E no meio do intérmino confronto das sardinhas, um cidadão resolve, com um timbre mais parecido com a de uma arara roxa da Amazônia, cantarolar em volume extremamente alto “SEGURA NA MÃO DE DEUS E VÁ!”. Nada contra as pregações sobre a palavra de Deus, pelo contrário, o que mais conforta e melhor orienta é, de fato a palavra Dele. Mas não da forma esculachada que o moço sem nação fazia naquele momento. Muitos, assim como eu, achavam aquilo engraçado e não conseguiam segurar o riso perante a tamanha façanha do jovem de roupas escorraçadas. Outros, a cada parada pediam insistentemente aos ‘guardinhas’ que retirassem aquele fiel incômodo daquele vagão.
Em suma, o dia-a-dia do trabalhador dependente do veículo sobre trilhos é louco, muito louco… E quem mais vê isso, que não ele próprio?


